Todos sabem que há anos vivencio a realidade norte-americana e trabalhei na IATA. Entendo que a recuperação judicial é uma estratégia absolutamente normal e tem sido utilizada com sucesso. Empresas aéreas como as gigantes American, Delta e United, no passado, já adotaram estratégias semelhantes, com base no Chapter Eleven (Capítulo 11 do código de falência vigente nos EUA e que, a título de curiosidade, também se aplica a indivíduos). Atualmente, essas mesmas companhias aéreas ostentam força econômica, expressa pelo valor das respectivas ações no mercado global.

Antes da legislação brasileira pertinente ao tema ser modernizada, saudosas companhias de bandeira como a VASP, Transbrasil e VARIG seguiram caminhos bem diferentes. Os resultados todos conhecem e dispensam comentários complementares.

Com a atual legislação, recuperação judicial ganhou um novo significado e precisa ser claramente entendida pelo mercado como medida estratégica. Ou seja: o que antes era considerado um sinal de problema, a rigor, tem o escopo de sinalizar potencial recuperação. É preciso, portanto, romper com uma visão ultrapassada e valorizar o protagonismo propositivo.

Ao entender e acreditar nos passos dados pela Avianca, a Abracorp ratifica os termos da legislação vigente e uma vez mais, demonstra ter uma atitude de parceria com seus fornecedores. Na prática, a entidade ratifica seu compromisso com os princípios de valor e guias de boas práticas. A defesa do compliance pressupõe esclarecer o mercado sobre os fatos e combater o derrotismo alimentado pelo imobilismo.

É fato também que, de acordo com as informações do BI Abracorp – Inteligência de Dados, no terceiro trimestre de 2018, a Avianca manteve sólida participação no Market Share do mercado de viagens corporativas, tanto em vendas de bilhetes como nos valores apurados em reais. Clara demonstração de vitalidade da aérea no Brasil.

Por fim, cabe dizer que a concorrência traz inegáveis ganhos ao mercado; na medida em que promove ganhos de competitividade e impulsiona melhor ROI a todos os envolvidos. Que o jogo seja justo e a torcida engajada em apoio à superação de cenários exógenos que desafiam a todos. Nós, agentes de viagens, temos a oportunidade de mais uma vez explicitar e ver reconhecida nossa importância na cadeia de valor do nosso setor.

 * Antônio Carbone é diretor executivo da Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas — ABRACORP