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A ANAC anunciou, semanas atrás, algumas medidas que mudam, bastante, o cenário da aviação comercial brasileira, no tocante às regulamentações que tem relação direta com o viajante.
Duas delas chamam muita atenção em função das mudanças que provocarão no mercado. Uma que refere-se à cobrança de taxa de bagagem, cujo valor ficará a critério de cada empresa aérea, sem qualquer mediação regulamentar de valor ou definição de regra de cálculo.
De acordo com o presidente da ABEAR, Eduardo Sanovics, “hoje nenhuma bagagem tem transporte gratuito, porque as empresas aéreas embutem nas tarifas as taxas para todos os passageiros, independentemente do que levam para os aviões. Passa a pagar quem usa a bagagem. Quem não usa, que é metade daqueles que viajam, não pagará”.
Partindo da premissa de que a taxa de bagagem já está embutida nas tarifas atuais, podemos esperar, então, que os passageiros do segmento corporativo poderão pagar menos por suas passagens, já que, costumeiramente, viajam sem bagagem. Assim, uma tarifa de ponte aérea, por exemplo, que custou R$ 541,00 no 3º Trimestre de 2016, segundo indicadores da ABRACORP, poderá, quem sabe, custar menos. Por outro lado, uma passagem de São Paulo a Fortaleza para um viajante em férias ou a trabalho, que ficará alguns dias no destino, poderá custar mais, considerando que ele viaje com bagagens. Mas tudo será regido, com certeza, pela inexorável lei de oferta & demanda, afirmam as companhias aéreas.
O que é certo, quando observamos o mundo lá fora, é que as receitas auxiliares, onde entram as bagagens, têm apresentado uma meteórica taxa de crescimento no faturamento das companhias aéreas.
Estudos de mercado apontam que as companhias aéreas devem faturar, somente com as receitas auxiliares, algo como U$ 68 bilhões em 2016 (crescimento de 13% em relação à 2015), o que equivale a cerca de 9% do faturamento total esperado.
E as receitas auxiliares não são foco somente do segmento aéreo. Hotelaria e locação de automóveis já caminham nesse sentido. O marketplace digital, altamente sensível a preços e à segmentação de perfis de consumo, faz com que as empresas busquem novos tipos de receitas.
A outra medida, este um pedido de longo tempo da ABRACORP junto às autoridades, de constar no cartão de embarque o valor do bilhete pago pelo cliente. A resolução 401, de 13 de dezembro de 2016 estabelece que a regra entra em vigor à partir de 90 dias da publicação. Ou seja, em março/17 as companhias aéreas deverão inserir nos cartões de embarque, o valor daquela passagem.
A Abracorp defende maior clareza nos preços dos canais diretos e indiretos, com regras definidas por parte dos fornecedores na exposição dos preços divulgados para o cliente.
Tais medidas, sob a ótica da Abracorp, oferecem mobilidade, agilidade e transparência ao cliente, mas é imperativo, no caso da cesta de serviços, que as plataformas de online booking tool (ou off-line) utilizadas pelas TMC´s possam integrar-se aos sistemas das companhias aéreas, no sentido de oferecer esse menu de serviços ao cliente. Isso tornaria o custo total algo previsível no orçamento do viajante, no momento de programar a sua viagem.
Certamente as companhias aéreas comunicarão, amplamente, suas estratégias individuais para tratar cada item das novas regras da ANAC, e também em relação aos procedimentos e valores que poderão ser cobrados por cada serviço adicional ofertado.
De todo modo, a ABRACORP estará acompanhando, de perto, a evolução dessa discussão e a implantação dessas regras que abrangem pontos importantes como prazos para reembolsos, remarcações, entre outros, e também da resolução 401.

Clique Aqui para ler a íntegra das propostas da ANAC.

Clique Aqui para acessar a resolução no. 401 da ANAC.